As gigantes minúcias em quatro poemas de Simão Pedro

17-12-2025

Amaral, Maria Emília. (2008). Retrato com cigarro. Categorias Abstrata; acrilica e pastel sobre tela. Art Majeur.

El remordimiento


Perguntas-me porque decoro desenfreadamente poemas,

Porque não tiro os meus olhos

Dos teus tão verdes.


O Borges ficou cego

E disse que o seu maior pecado durante a vida

Foi não ter sido feliz.


Aprendamos com os erros, antes que seja tarde.


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Definhar em Portugal


Há sempre uma solução

Para vivermos no país que escolhemos.


Partilhamos o mesmo cigarro entre os dois.

O amor também sobrevive a crises económicas.

Começas e acabas o cigarro,

Eu vou fumando pelo meio.


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Message in a bottle

What will I do? What

will I do without exile, and a long night

that stares at the water? -Mahmoud Darwish


Nas linhas do metropolitano está escrito:

"Não atravessar, perigo de morte".

Queremos nascer de novo no lado de lá,

Cruzar terra e mar com fénix clamando no peito.


O que pode separar um Homem vivo de um Homem vivo?

Embora não te apercebas no dia manso e sereno,

A morte persegue-nos a todos.


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Fragmentos


Por entre tantas receitas para cozinhar o arroz,

E outras tantas para fazer o bolo de chocolate,

Escolheste aquelas de quem te amou.


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Simão Pedro, nome bíblico em temperamento endiabrado, produto do metamorfismo do granito transmontano, com pouco a apresentar (para já). O que melhor o define é um verso do saudoso António Variações: "E eu sou melhor que nada". Entre o Benfica e a literatura, vive, muito a gosto.

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